Avaliação Relativa (Múltiplos): O que é?

A avaliação relativa (ou avaliação por múltiplos) é muito utilizada no mercado financeiro. A maioria das recomendações de compra e venda de ativos é realizada através desse tipo de análise, por ser mais rápida e refletir a tendência do mercado (o que também pode ser um grande perigo). Como as instituições atuantes no mercado utilizam bastante esse método, é de suma importância que o investidor entenda como ele funciona e saiba calcular, a fim de encontrar um possível ativo subavaliado ou superavaliado.
Diante disso, fizemos um breve resumo de como funciona o método de avaliação por múltiplos, suas características e alguns perigos referentes a ele.
A avaliação por múltiplos consiste em comparar empresas negociadas no mercado financeiro para encontrar algumas pechinchas. Nesse tipo de avaliação, é feita a análise de um ativo com base em como outros ativos estão precificados no mercado. Por exemplo: Caso um grupo de empresas de um determinado setor esteja precificando as empresas com um índice de Preço/Lucro de 10x, e um ativo esteja sendo negociado com múltiplo de 7x, é possível identificar que ele está sendo subavaliado, e que possivelmente ele voltará a média/mediana do setor.
Para fazer essa análise, é preciso, primeiramente, definir o múltiplo a ser utilizado. Para a avaliação ser consistente, o numerador e o denominador necessitam ter a mesma natureza proprietária. Por exemplo: o múltiplo EV/EBITDA são medidas dos ativos operacionais, da mesma forma que o múltiplo P/L são medidas de valor de patrimônio líquido.
Em seguida, deve-se achar empresas comparáveis. Para listar empresas comparáveis, necessita-se de empresas que estão alocadas no mesmo setor de atuação. Entretanto, para Damodaran, empresas podem ser comparáveis caso o risco, o crescimento e as características de fluxo de caixa sejam parecidas. O raciocínio é que os fundamentos é que devem ser similares e não as atividades.
Um dos perigos da utilização dos múltiplos é justamente o fato de que os fundamentos das empresas podem ser desconsiderados ao comparar companhias com risco, crescimento e fluxo de caixa distintos. Outro ponto a ser avaliado é o fato de que como os índices refletem a tendência do mercado, caso o setor esteja superavaliado, o valor relativo da ação será também superavaliado.
Exemplo prático:
Recentemente fizemos uma análise por múltiplo da BB Seguridade, utilizando como empresas comparáveis as 25 maiores do setor de seguros em países emergentes (utilizando o banco de dados da Reuters). O índice calculado foi o de Preço/Lucro e obteve-se uma mediana de 14,31x. Isso significa que os investidores estão pagando 14,31x em capital próprio por unidade monetária de lucro.
Finalmente, projetamos um lucro líquido do ativo para o final de 2016 e multiplicamos pela mediana do setor para alcançar o preço-alvo do ativo. Obtivemos um preço-alvo da BBSE3 de aproximadamente R$32,00 por ação em 2016 e R$34,00 em 2017. Atualmente, o ativo está cotado a R$27,50, indicando uma valorização no médio/longo prazo.
ATENÇÃO: Esta publicação assim como todas as demais desse blog são feitas por estudantes da UFPB. Qualquer posicionamento aqui não deve ser entendido como recomendação de compra ou venda, pois tem o propósito de aferição e disseminação de conhecimento.